O
teste aplicado é composto de quinze questões de múltipla escolha como descrito
no na postagem anterior. O teste possui um número de alternativa variada com as
respostas mais comuns apresentadas por alunos do ensino médio. O teste foi
aplicado na primeira semana de setembro de 2012 em estudantes de 2º grau. Com
alunos que já haviam estudado óptica. O grupo é formado por uma turma de 40
alunos da E.E Toufic Joulian, Carapicuíba- SP. Com o objetivo de uma melhor
analise do teste considerei, 1 (um) para a resposta correta e (0) zero para a
resposta errada. Desta forma montei a seguinte tabela:
Questão
A
B
C
D
E
ACERTOS
1
3
0
15(X)
22
______
37,50%
2
10(X)
5
12
13
______
25%
3
13
10
8
9(X)
______
22,5%
4
25
10
3
2(X)
______
5%
5
1
4
27(X)
8
______
67,5%
6
7
22(X)
4
7
1
55%
7
9(X)
4
13
7
7
22,5%
8
12
4
3
21(X)
______
30%
9
12
6
12
3
7(X)
17,5%
10
23
14
3(X)
______
______
7,55%
11
7(X)
11
22
______
______
17,5%
12
15
10
10(X)
5
______
25%
13
13
5
17(X)
4
1
42,5%
14
4(X)
17
6
13
______
10%
15
1(X)
29
13
______
______
2,5%
As
respostas com um (X) são as consideradas certas, assim, pode-se notar nesta
primeira avaliação, que o aluno que tem uma formação tradicional não consegue desenvolver os conceitos
científicos, fica claro também, que ele
apresenta grande dificuldade, em entender alguns conceitos como os ligados ao
movimento retilíneo da luz a refração e também a reflexão. Outro fator
interessante, sobre o teste, é o fato do aluno se sair bem em testes que
envolvam alguns conceitos de óptica e outros testes que envolvam os mesmos
conceitos ele não se sair tão bem como no anterior, isto me leva a concluir que
ele considera muito a intuição para resolver alguns problemas.
O
resultado final desta primeira etapa do teste está entre o esperado, tendo uma
média de 4,15 ou seja, apesar de haverem algumas distorções os resultados são
muito parecidos com os encontrados no caderno catarinense, desta forma os
alunos apresentaram dificuldade em conceitos como: a maneira como se explica a
visão, usando o conceito errôneo de raios visuais; que a distância atingida
pela luz depende da intensidade; a dificuldade de entender que a luz se propaga
em linha reta e a dificuldade de lidar com a parte geométrica da luz, a
concepção de que a luz não é necessária para enxergarmos. E para enxergarmos é
necessário sair raios de luz olhos.
Depois
de realizar o primeiro teste e verificar que apesar dos alunos terem estudado
óptica e os principais conceitos envolvidos, continuam apresentando algumas
deficiências relativas aos conceitos alternativos.
Todo
ano o MEC realiza um censo através do INEP, este censo é o mais relevante e
abrangente levantamento estatístico sobre a educação básica no país. Os dados
coletados constituem a mais completa fonte de informações utilizada pelo
Ministério da Educação para a formulação de políticas e para o desenho de
programas, bem como para a definição de critérios para a atuação supletiva do
MEC - a escolas, a estados e a municípios. Um dos últimos censos nos informa
que dos professores que dão aula de física no país apenas 5,2% são professores
formados em física, sendo o menor índice entre todas as disciplinas oferecidas
no ensino médio, os aproximadamente 95% dos outros professores que ministram as
aulas de física são quase que totalmente formados em matemática, que por não conseguirem
aulas em sua disciplina, acabam se transformando em professores de física.
Hoje
quando se estuda Óptica no curso de ensino médio, o enfoque tradicionalmente se
restringe ao estudo de aspectos geométricos, baseados no conceito de raio de
luz e na análise das características de alguns elementos específicos, como por exemplo,
espelhos, lâminas de faces paralelas, prismas e lentes. Todos esses elementos sempre
são indicados por retas e pontos num plano, sem ficar evidente que a luz se propaga
num espaço tridimensional, que há uma fonte de luz e que existem obstáculos para
a propagação. Os aspectos da natureza da luz, sua interação com a matéria e sua
ligação com o processo de visão, também são, em geral, desconsiderados. Este
fato pode ser explicado pela formação do professor, como relata o censo do MEC
é um professor que tem em sua origem uma formação matemática, ou seja, ele
acaba ensinando a física que esta relacionado a sua formação, que são conceitos puramente matemáticos, e desta
forma este professor não está familiarizado com os conceitos espontâneos
ligados a parte da física do processo de aprendizagem de óptica, como por
exemplo os aspectos físicos ligados a natureza da luz, e o aspecto da visão
também em sua maioria das vezes não é levado em consideração. Desta forma
surgem várias concepções ligadas a óptica geométrica. Uma das concepções
espontâneas apresentadas pelos alunos é a concepção de raio visual, no qual o
raio de luz vai do olho até o objeto e desta forma o aluno explica que a visão não
depende da existência de luz; desta forma os objetos com cores claras podem ser
vistos independentemente de haver luz no ambiente; cores claras prevalecem
sobre as escuras. Diante de um problema de reflexão num espelho, o senso comum
considera que a imagem do objeto está na superfície do próprio espelho. A luz
enfraquece com a distância.
Com
o objetivo de confirmar a teoria, decidi fazer um teste em duas fases do
processo. Na primeira etapa, usarei quinze questões que podem ser encontradas
no caderno catarinense de ensino de física, com o objetivo de identificar os
conceitos, tomarei como base o estudo realizado no próprio caderno e desta
forma, verificarei se os conceitos apresentados por meus alunos são semelhantes
aos apresentados no teste realizado no caderno. Após este momento realizarei um
trabalho de ensino aprendizagem no final do qual verificarei, através do teste
se ocorreu avanços no desenvolvimento da aprendizagem, e após quinze dias
realizarei um novo teste para verificar se a aprendizagem foi significativa e
desta forma chegar as conclusões finais. Você pode ter a noção dos seus conceitos espontâneos neste site ou aqui onde poderá baixar o programa e fazer o teste ou testar no próprio site.
O
teste aplicado será o seguinte:
TESTE
Instruções:
1º) Este teste consta de 15 questões,
confira se ele está completo.
2º) Em cada uma das questões escolha
uma e apenas uma das alternativas apresentadas.
3º) Depois de ter certeza da
alternativa escolhida, marque a sua resposta na grade de respostas
que aparece na última página deste
teste.
1) Uma aluna, Elisa, e seu professor
discutem o que segue:
Prof.: Explique como você vê o livro.
Elisa: Sinais nervosos vão desde meus
olhos até meu cérebro.
Prof.: Sim, isto acontece entre os
olhos e seu cérebro.
Mas existe uma certa distância entre o
livro e seus olhos. O que acontece entre eles?
Com qual das alternativas seguintes
você responderia à pergunta do professor?
a) Raios vão dos meus olhos até o
livro de modo que assim posso vê-lo.
b) Não acontece nada, o livro está
iluminado e isto basta para que eu possa vê-lo.
c) A luz do ambiente refletida no
livro chega até os meus olhos.
d) Os olhos emitem raios que retomam
ao cérebro trazendo a informação da imagem.
(adaptada de Andersson e Kärrqvist,
1983).
2) As figuras abaixo representam uma
fonte de luz S (Sol), um objeto A (árvore) e um observador
O (menino). Qual das alternativas
abaixo melhor representa o modo pelo qual podemos enxergar:
3) Em uma noite escura e sem nevoeiro
um carro está parado em uma estrada reta e plana. O
carro está com seus faróis ligados. Um
pedestre, também parado na estrada, é capaz de ver os
faróis. A figura da página seguinte
ilustra esta situação e está subdividida em quatro seções. Até
onde a luz dos faróis do carro
alcança?
a) No máximo até a seção I. b) No máximo até a seção 11.
c) No máximo até a seção 111. d) Até a seção IV e ainda vai mais
além.
4) Suponha a mesma situação descrita
na questão anterior só que, em vez de carro, tivéssemos ali
uma pequena vela acesa. Até onde a luz
da vela alcançaria?
a) No máximo até a seção I. b) No máximo até a seção 11.
c) No máximo até a seção 111 d) Até a seção IV e ainda iria
mais além
As questões 5 e 6 referem-se à figura
abaixo. Ela mostra um muro colocado entre uma pequena lâmpada e uma sala com
três janelas na parede da esquerda.
5) Qual(ais) da(s) janela(s) é(são)
iluminada(s) pela lâmpada?
a)A
b)B c)A e
B d)A, B e C
6) Se você estiver dentro da sala,
através de qual(ais) das janelas você poderá ver a lâmpada?
a) A, B e C b) A e B c) B
d) A
(adaptadas de LaRosa et alii, 1984)
7) A figura abaixo mostra uma pequena
lâmpada colocada em frente a uma caixa que possui uma
abertura no seu lado esquerdo Que
região(ões) da parte inferior direita da caixa é(são) iluminada(s) pela
lâmpada?
a) Somente A. b) Somente B. c) Somente A e B. d) A, B e C.
e) Nenhuma delas
8) A figura abaixo mostra uma pequena
lâmpada colocada frente a uma janela de uma sala que
contém três quadros (1, 2 e 3) na
parede oposta à janela. Qual(ais) quadro(s) é(são) iluminado(s)
pela lâmpada?
a) 1, 2 e 3 b) 1 e 2 c) 2 e 3 d) Apenas o 2
9) Duas
pequenas fontes, F1 e F2, estão situadas em frente a um objeto opaco AB, como
mostra a
figura
abaixo. Considerando os pontos assinalados na parede, qual (ais) deles está(ão)
recebendo
luz das
duas fontes?
a) Todos. b) Apenas P3. c) P2, P3, e P4. d) P2 e P4. e) P1 e P5.
10) Onde está localizada a imagem de
um objeto colocado em frente a um espelho plano?
a) Na frente do espelho. b) Na superfície do espelho c) Atrás do espelho
11) O desenho ao lado mostra um
observador parado em frente a um espelho plano. Entre o
espelho e o observador encontra-se um
objeto. Se o observador mover-se para a esquerda, o que
acontecerá com a imagem do objeto?
a) Permanecerá no mesmo lugar onde
estava. b) Se deslocará para a esquerda
do observador.
c) Se deslocará para a direita do
observador
12) A figura abaixo mostra um objeto
que se encontra além da borda direita de um espelho plano.
Os observadores A e B podem ver a
imagem do objeto?
a) Sim, ambos podem ver a imagem. b) A pode ver a imagem, mas B não.
c) A não pode ver a imagem, mas B pode. d) Não, nenhum dos dois pode ver a imagem.
13) A ilustração abaixo mostra uma
sala, vista de cima, contendo um espelho em uma parede e
um quadro em outra parede. Em
qual(ais) das posições indicadas na ilustração, uma pessoa poderá
ver a imagem do quadro?
a) Em A, B e C. b) Somente em A e B c) Somente em C. d) Somente em B e) Somente em A.
14) A figura abaixo mostra uma sala
completamente escura, sem pó, sem fumaça e de paredes
totalmente negras. Através de uma
abertura, faz-se incidir um facho retilíneo de luz obliquamente
em direção ao espelho. Uma pessoa,
colocada na parede oposta ao espelho, como mostra a figura,
poderá ver o espelho e a luz nele
refletida?
a) Não ela não poderá ver o espelho e
nem a luz nele refletida.
b) Poderá ver a luz, mas não poderá ver o
espelho.
c) Poderá ver o espelho, mas não a
luz.
d) Sim, poderá ver tanto a luz quanto
o espelho.
15) O que você poderá fazer para que,
colocado em frente a um espelho plano, possa ver uma
maior parte do seu próprio corpo?
a) Nada. b) mover-se para trás. c) Mover-se para frente.
Outra
parte importante da obra a se definir seriam os conceitos espontâneos, seus
estudos e definições. Antes da década de 70 não é possível encontrar muitos
estudos sobre este assunto, logo, antes disto não era dada muita importância ao
erro e sim somente aos acertos, logicamente não estavam preocupados como as
ideias que os alunos apresentavam, ou seja, a maneira em que chegava a um
determinado resultado e somente se este resultado estava certo ou errado, está
inquietação segundo Mortimer (1996),
começa a ganhar destaque com Driver & Easley (1978), num artigo considerado
como um marco desse movimento criticavam a excessiva ênfase ao desenvolvimento
de estruturas lógicas subjacentes, o que teria levado Piaget a não dar
importância à rica variedade de ideias apresentadas pelas crianças. Estas
ideias podem ser verificadas, com uma criança, a partir do momento que começa a
falar, a criança tem uma explicação para o mundo, e se muitas vezes ela faz uma
pergunta, já é esperando uma determinada resposta que ela pode aceitar como
verdadeira dependendo da fonte que lhe fornece a resposta.
Entretanto, estudos desenvolvidos por pesquisadores
a partir de então, tem levado a conclusão que existem conceitos que são
desenvolvidos pelos alunos que tem como origem o ambiente em que o aluno está inserido,
e estes conceitos apresentam grande resistência a mudanças. Desta forma podemos
definir as Concepções Espontâneas como conceitos desenvolvidos
naturalmente pelo ser humano como o objetivo de explicar os fenômenos
apresentados pela natureza, de tal forma que não tenham relação com o ensino
formal, ou seja, são aprendidos com experiências diárias pessoais. Normalmente
estes conceitos tem sua origem na infância, como dito antes, e são
desenvolvidos de dentro para fora através de experiências e contatos com
objetos ou situações do cotidiano. Logo se os Conceitos espontâneos tem sua
origem em uma fase tão imatura e perdura por tanto tempo, a educação tem
cometido falhas ao desenvolver na criança os conceitos científicos. Logicamente
durante todo este tempo tem se desenvolvido estratégias de ensino com base
nestes estudos. Desta forma podemos fazer a seguinte estruturação.
Logo objetivo desse trabalho, pode ser também em
certo momento o contribuir para o entendimento do processo de mudança
conceitual, de tal maneira como os estudantes enfrentam um desafio às suas
concepções através da observação de um fato anômalo. Logo através deste
trabalho, pesquisarei, como a aprendizagem influencia no conjunto de concepções
dos alunos. Para isso pretendemos responder à seguinte questão: o que acontece
quando o aluno é confrontado com uma observação que contraria as suas
concepções ou teorias intuitivas, e como ele reage ao desafio que essa
observação coloca ao seu modelo explicativo. Apresentando um modelo de mudança
conceitual que, sendo simples e fácil de ser utilizado pelo professor em sala
de aula, pode ser útil para a análise do processo das mudanças conceituais que
os alunos realizam em interações de sala de aula.
Como
dito anteriormente na minha ultima postagem, este trabalho tem como objetivo fazer uma relação entre o
conceito de revolução cientifica tal como proposto por Kuhn (2003) e os conceitos alternativos que os alunos apresentam no
desenvolvimento do ensino médio. Farei, assim, uma pequena síntese do trabalho
de Kuhn para melhor compreender a relação entre a revolução cientifica de Kuhn
e as concepções espontâneas apresentado em sala de aula.
Segundo Kuhn o cientista a princípio prática a
ciência normal. Esta ciência normal é baseada em pesquisas e em realizações
científicas passadas. Essas realizações são reconhecidas durante algum tempo
por alguma comunidade científica especifica como proporcionando os fundamentos
para sua prática posterior. Kuhn (2003, p.29).
Exemplos de ciência normal são a A Física de
Aristóteles, o Almagesto de Ptolomeu, os Principia e a Óptica de
Newton, a Eletricidade de Franklin, a Química de Lavoisier e a Geologia
de LyeJl esses e muitos outros trabalhos serviram, por algum tempo. Ou
seja, a ciência normal tem um prazo de validade e este prazo de validade
depende de quão competente ela é para resolver os problemas para ela
apresentados.
Segundo Kuhn (2003), paradigma é um conjunto de
ideias que se perpetuam durante um determinado tempo em uma comunidade
cientifica, estas ideias se estabelecem da seguinte forma: existe uma fase
chamada de pré-paradigma nesta fase o paradigma é examinado e testados por toda
a comunidade cientifica. Esta é uma parte importante para a constituição da
ciência normal, pois, após o período de testes, o paradigma é totalmente aceito
e não se discute mais. Então sempre que houver alguma decisão sobre qualquer
assunto este paradigma deverá ser consultado, como Kuhn (2003) deixa claro:
Ao empreendê-la, o historiador deve comparar entre
si os paradigmas da comunidade e em seguida compará-los com os relatórios de
pesquisa habituais do grupo. Com isso o historiador visa descobrir que
elementos isoláveis, explícitos ou implícitos, os membros dessa comunidade
podem ter abstraído de seus paradigmas mais globais, empregando-os
depois em suas pesquisas. Quem quer que tenha tentado descrever ou analisar a
evolução de uma tradição científica particular terá necessariamente procurado
esse gênero de princípios e regras aceitos. Kuhn(2003: p 68).
Desta forma, depois que termina o teste em nenhum
momento posterior o cientista contesta o paradigma. Sempre que surge alguma
duvida ele procura encaixar o seu experimento a um paradigma existente, mesmo
que este não seja uma unanimidade.
A falta de uma interpretação padronizada ou de uma
redução a regras que goze de unanimidade não impede que um paradigma oriente a
pesquisa. Kuhn(2003: p.69).
Ao lado existe uma bela representação do é um paradigma, mas voltando a Thomas Kuhn.
Nesta fase o paradigma cresce graças a influencia
criada por jornais, revistas e livros especializados, sociedade profissional,
disciplinas curriculares, manuais. Assim a ciência normal se fortalece criando
uma série de regras, de tal forma que não existe mais, em determinado momento,
o debate sobre as soluções encontradas, somente as aceitam-se.
Os cientistas trabalham a partir de modelos adquiridos
através da educação ou da literatura a que são expostos subsequentemente,
muitas vezes sem conhecer ou precisar conhecer quais as características que
proporcionaram o status de paradigma comunitário a esses modelos. Kuhn (2003:
p. 67).
Depois de se estabelecer, a ciência normal está
baseada na pesquisa normal. A pesquisa normal tenta fazer previsões com base na
ciência normal e fazer novas aplicações para a ciência normal. Com isto ela
cria um grande sistema de coleta de dados, como uma série de medidas, que são
comparadas com a teoria, fortalecendo o paradigma. Caso estas medidas não
estiverem de acordo, são descartadas ou postas de lado. Esta é a forma mais
comum de resolução dos problemas referentes ao paradigma.
A ciência normal ,segundo Kuhn(2003), oferece
problemas com solução possível, motivando o pesquisador e evitando problemas
muito complexos. Por este motivo, a ciência normal é capaz de crescer e se
estabelecer. Fazendo uma análise, percebe-se que a ciência normal tem como
principal objetivo confirmar suas próprias teorias e não testá-la em novos
campos científicos. Assim, o efeito acumulativo é enorme, desta forma a ciência
normal se preocupa em resolver alguns problemas. Entretanto, alguns fenômenos
que não se encaixam no paradigma dominante são descobertos periodicamente pela
pesquisa científica.
A ciência normal, atividade que consiste em
solucionar quebra-cabeças, é um empreendimento altamente cumulativo,
extremamente bem sucedido no que toca ao seu objetivo, a ampliação contínua do
alcance e da precisão do conhecimento científico. Em todos esses aspectos, ela
se adéqua com grande precisão à imagem habitual do trabalho científico. Kuhn
(2003, p77).
Os fenômenos não explicados pelo paradigma em voga são
conhecidos como anomalias, são deixados de lado pela comunidade cientifica. Entretanto,
em determinado momento ocorre um avanço devido a algumas mudanças em
procedimentos causados principalmente pelo fracasso de regras já existentes. Desta
forma se faz necessária a existência de novas regras.
Tal avanço somente foi possível porque algumas
crenças ou procedimentos anteriormente aceitos foram descartados e,
simultaneamente, substituídos por outros. Kuhn(2003, p 93).
Para que ocorra o surgimento de novas regras, o
paradigma percorre o seguinte caminho: primeiramente constata-se uma
discrepância entre teoria e realidade, que Kuhn(2003) chama de anomalia. Para
tentar corrigir está anomalia, o cientista normal tenta fazer um ajuste ou
correção. Se conseguir o paradigma continua soberano. Se os ajustes não forem
satisfatórios, ocorre neste momento a proliferação de teorias competidoras,
este período é conhecido como período de crise. Neste período é um momento
crucial, pois é marcado pelo questionamento da teoria predominante.
A emergência de novas teorias é geralmente precedida
por um período de insegurança profissional renunciada, pois exige a destruição
em larga escala de paradigmas e grandes alterações nos problemas e técnicas da
ciência normal. Kuhn(2003, p95).
Uma teoria concorrente surge em meio a várias
outras. Então, na medida em que a crise se aprofunda, muitos desses indivíduos
comprometem-se com alguma teoria para a reconstrução da parte da ciência
atingida.
Tornando-se uma sociedade cientifica dividida,
alguns cientistas procurando defender a velha ciência normal e outros tentando
estabelecer uma nova ciência é a revolução científica. Kuhn (2003) faz um
paralelo entre revoluções políticas e revoluções científicas, afirmando que
aparece um sentimento crescente, restrito a um grupo da comunidade, de que as
instituições, no caso das revoluções políticas, ou os paradigmas, no caso das
revoluções científicas, deixaram de funcionar adequadamente. Ainda comparando
revoluções políticas e científicas, Kuhn afirma que elas podem ser localizadas.
As revoluções políticas e científicas, em um caso e
em outro, visam realizar mudanças, que são proibidas pelas instituições, no
caso político, ou pelos paradigmas, no caso das ciências. A importância da
crise se deve ao fato de que os membros da comunidade são levados a escolher
novas instituições ou paradigmas, usando como meio de ação a força ou a
persuasão.
Após reprovar o velho paradigma, e tudo que está
ligado a ele, e escolher um novo paradigma a comunidade cientifica começa mais
uma vez a produzir todo o material cientifico necessária para a solidificação
do novo paradigma. Logicamente este novo paradigma deve dar conta da anomalia
que gerou a crise assim como todos os fenômenos que o antigo paradigma era
capaz de resolver. Novo paradigma assume desta forma, o status de ciência normal. E segundo Kuhn(2003) o resultado final é uma sequencia
de seleções revolucionárias, separadas por períodos de pesquisa normal, é o
conjunto de instrumentos notavelmente ajustados que chamamos de conhecimento
científico moderno. Se fossemos fazer um resumo do trabalho de Kuhn através de um fluxograma poderíamos fazer através da figura.